*Daniele Akamine

O índice de desemprego, na casa dos 12%, e a incerteza de quem está trabalhando sobre a manutenção da renda na família em 2019 estão afastando os brasileiros do sonho da compra – ou troca – da casa própria. Nos últimos quatro anos, o preço médio dos imóveis despencou 20%, mas nem por isso cresceu o volume de empréstimos tomados pelos consumidores para aproveitar as pechinchas das construtoras. Pelo contrário: o total de financiamento imobiliário novo nos últimos 12 meses é 50% menor em relação a 2014.

Nem a redução das taxas de juros vem sendo suficiente para aquecer as vendas de casas e apartamentos, novos ou usados. Passada a eleição e iniciada a divulgação das diretrizes que o novo governo pretende adotar, é possível que mais interessados em imóveis voltem a procurar as linhas de crédito disponíveis. O consumidor precisa estar mais confiante nos rumos da economia.

Além de taxas de juros mais atrativas, o setor da construção civil aguarda a retomada do mercado prometida com as medidas anunciadas no início do semestre pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Três resoluções facilitam bastante a vida das instituições financeiras no momento da concessão do crédito imobiliário.

A primeira diz respeito aos recursos captados via depósito de poupança. Hoje os bancos precisam direcionar ao financiamento imobiliário 65% desse capital. E 80% do dinheiro tinha de ir para operações feitas no âmbito do SFH (imóvel com preço menor utilização do FGTS). Mas a partir de janeiro, acaba esse limitador e qualquer imóvel residencial poderá ser financiado com a parcela da poupança, até então reservada ao SFH. É mais dinheiro para direcionar ao financiamento de apartamentos e casas frequentemente adquiridos por grandes investidores.

Para as pessoas que procuram imóveis até R$ 500 mil, também haverá mais dinheiro disponível. Isso porque os bancos que concederem crédito a esse perfil poderão multiplicar o valor financiado por 1,2 para abater o cumprimento da exigência de usarem 65% da poupança para crédito à casa própria. Por último, vem a possibilidade de as instituições financeiras usarem outros índices para correção dos contratos (hoje o indicador está restrito apenas à TR). Isso deve trazer mais garantia aos credores e estimular os bancos a repensar o percentual dos juros para o setor imobiliário.

(*) Daniele Akamine é advogada, especialista em crédito imobiliário, pós graduada em Economia na Construção Civil e sócia da consultoria Akamines Negócios Imobiliários.