Por Daniele Akamine(*)

A Caixa Econômica Federal anunciou a redução das taxas para financiamento de imóveis com valor de até R$ 1,5 milhão. As taxas mínimas do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) chegaram a 8,75% por ano e acumulam quedas sucessivas ao longo de 2018, para as linhas de crédito que utilizam os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Outra mudança foi o banco também ter aumentado o limite de cota de financiamento de imóveis usados, de 70% para 80%.

O que está por trás dessa decisão? Dois objetivos me parecem claros. Ainda que as novas condições para o financiamento não sejam as mais baratas do mercado, um anúncio de uma instituição como a Caixa gera sempre espaço na mídia, o que encoraja potenciais compradores de  imóveis a partir para a compra a casa própria, movimentando o mercado. Contribuir com a retomada de investimentos no setor da construção civil é tudo que a economia (e o governo, claro) vem esperando ansiosamente ainda neste ano.

Outra razão estaria no balanço do banco. No primeiro semestre, o desempenho da Caixa ficou a desejar, e agora seria a chance melhorar seus resultados de 2018 com a expansão da carteira de crédito num produto melhor rentabilidade.

Para os consumidores, a redução dos juros – somada à possibilidade de o financiamento bancar 80% do imóvel usado – é uma ótima notícia, sobretudo para quem está de olho em imóveis de maior valor, mas uma entrada de 30% do valor pesava o bolso. Que outras boas novas venham até o final deste ano, já que a Caixa tem R$ 82,1 bilhões disponíveis para o crédito habitacional até dezembro.

Daniele Akamine é advogada, MBA em Economia da Construção e Financiamento Imobiliário, técnica em Contabilidade e sócia diretora da Akamines Negócios Imobiliários.